Divagação 08: Crônica voluntária

Primeiramente gostaria de esclarecer o contexto em que esse texto está inserido. Durante uma aula de Sintaxe do Português, a professora pediu para que os alunos que quisessem coloborar com a pesquisa que ela estava fazendo escrevessem um texto com base num outro texto. Esse texto primeiro era uma reportagem da Época, falando sobre a Presidente da Libéria e sobre a posição dela sobre o relacionamento homossexual no país. O texto também trazia outras informações sobre como a homossexualidade é tratada na África como um todo. Tinha uma foto de manifestantes ugandenses com cartazes homofóbicos e também um mapa mostrando os países africanos onde a homossexualidade é considerada crime. Bom, isso tudo pra dizer que o texto que os alunos deveriam escrever deveria se basear nessa pequena coletânea, tipo uma prova de vestibular mesmo. Eu fiz uma crônica. E aqui está ela.

 

Acordo quase todos os dias às duas da manhã com farelos de reboco caindo sobre minha cabeça. Por muitas vezes já tentei mudar minha cama de posição para evitar esse desconforto, porém, como o quarto é muito pequeno, não há muitas opções de mobilidade. Além disso, minha vizinha do andar de cima parece adivinhar onde estou a cada vez que mudo. Devemos estar conectados de algum modo, pois sempre que mudo minha cama, ela muda o lugar de fazer sexo.

Eu não sou de observar muito a rotina dos meus vizinhos, no entanto, essa coisa de farelo na cabeça todo dia é de intrigar qualquer cidadão. Comecei a  reparar que todos os dias a loira do andar de cima traz parceiros, e parceiras, diferentes para dormir na casa dela, exceto no domingo. Talvez a religião dela não permita.

Nesse contexto de gemidos, batidas no teto, farelo de reboco na cabeça é que me levantei hoje de madrugada a fim de distrair a cabeça. Olhei pela janela, alguns rapazes fumavam serenos seus cigarros de maconha. Pouco interessante. Quis ligar o som, mas pensei que fosse incomodar os vizinhos, então não o fiz. Liguei a televisão no noticiário da madrugada.

Havia nascido o filho de um jogador de futebol que naquele momento já era mais rico que eu. Um endocrinologista e também psicanalista estava sendo processado porque havia ofendido uma atendente de cinema. Era negra e ele havia sugerido que ela voltasse para a África, para cuidar de orangotangos, que vivem na Ásia por sinal. A presidente reeleita na Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, que ganhou o prêmio Nobel da paz juntamente com outras duas mulheres em 2011, numa entrevista defendia a prisão de "praticantes de atos homossexuais", lei esta que vigora na Libéria.

Parei de prestar atenção nas outras notícias depois disso. Já havia lido algo a respeito dessa senhora. Inclusive, achava louvável sua luta por uma emancipação feminina por aquelas bandas do planeta, carente em tantos aspectos. Nada mais justo que as mulheres pudessem adquirir direitos até então masculinos. E a aquisição de direitos iguais pelas mulheres, enquanto seres humanos que são, é um passo grande para uma melhora significativa na qualidade de vida da população africana.

Entretanto, o posicionamento da única presidente do sexo feminino no continente africano, considerada diferente dos demais, sensível a grupos discriminados e aos direitos humanos, Ellen Johnson, (sim, a mesma que defende a punição a pessoas homossexuais) me deixou um tanto descrente sobre "o poder da educação" tão comentado por aí. Ela, juntamente com o psicanalista citado anteriormente e tantas outras pessoas cultas e instruídas as quais que não conheço mas sei que existem, pelo visto não se dão conta do conceito da palavra respeito. Ao menos não em sua totalidade. Minha vizinha também não se dá conta disso.

A realidade africana atualmente não favorece a minoria homossexual. Tempos atrás circulava uma foto nas redes sociais de manifestantes com cartazes, felizes e entusiasmados. Alguma coisa semelhante a uma parada gay, só que ao contrário. Tal manifestação se relacionava aos direitos homossexuais, porém, os manifestantes ugandenses traziam dizeres repressivos a esses direitos nos cartazes. Lutando por uma espécie de sexualidade pura, algo parecido com o que fez um certo sujeito na primeira metade do século XX. Engraçado.

Países como a Libéria, a Uganda, o Egito e a Nigéria estão entre os 38 dos 54 países africanos que possuem leis em vigor com punições que variam entre meses de reclusão carcerária, estupros corretivos e até pena de morte aos não-heterossexuais. O mais intrigante nisso tudo é que grande parte desses países possui um número alto de pessoas ligadas a religiões, que predominantemente são cristãs e mulçumanas. Religiões essas que pregam, acima de qualquer outra coisa, o amor e o respeito ao próximo e à vida. Isso não vem sendo muito difundido pelas religiões ou pelo Estado, ou por qualquer outro tipo de instituição ideológica, visto que nos últimos seis meses ocorreram seis ataques a gays, deixando oito feridos na capital da Libéria.

É fácil para mim, que vivo no país do Carnaval, achar absurdo o fato de pessoas serem estupradas e isso ser considerado legal num país que tem uma cultura muito diferente da que estou acostumado. Assim como é fácil para qualquer ser humano, em qualquer parte do mundo, pensar a mesma coisa. Absurdo. Completo absurdo.

Eu não me importo com os parceiros e parceiras da minha vizinha, assim como ela provavelmente não se sente incomodada quando eu como a sobremesa antes do jantar. São apenas preferências, tanto minha, quanto dela. A vida sexual de pessoa alguma no mundo deveria ser posta como aspecto de julgamento e condenação. Nem quando alguém te acorda quase todas as noites porque está fazendo sexo com alguém do mesmo gênero. Porque o problema não é, e nunca será, o quanto essa pessoa se relaciona com outra(s). 

O problema todo, desde o começo desse texto, é o apartamento antigo e desgastado em que eu vivo.

Posted by Thais Castro 

Divagação 07: Desabafo, meu. Vocês podem ler se quiserem.

Eu ando cansada. E olha que eu tenho menos da metade de uma vida útil ocupada. E pelo que eu vejo por aí, não sou só eu. Essa gente de vinte e poucos anos anda se cansando muito. Não me arrisco a dizer que estão se cansando fácil, porque eu não posso mensurar as experenciações alheias. No meu caso, o cansaço não veio fácil. Veio após oito anos de insatisfações e expectativas frustadas. No campo dos amores em especial. 

Depois de tanto tempo me decepcionando e me relacionando com variados - variados mesmo - tipos de pessoas, é chegado o momento crucial em que eu começo a pensar que o problema sou eu. Só pode ser comigo. Sou eu quem espera encontrar uma pessoa que more na mesma cidade que eu, que tenha a delicadeza de perguntar como foi meu dia, de me tratar bem, de me cuidar, na mesma medida em que eu cuido. Sou eu quem espera uma pessoa que não me dispense por erros e danos causados por outras pessoas, os quais eu jamais cometeria. Sou eu quem anda esperando comprometimento de pessoas descomprometidas até com elas mesmas.

Obviamente eu não sou a perfeição em pessoa. Em primeiro lugar eu sou chata. Sou chatíssima. Em segundo lugar, eu exijo muito do outro. Exijo porque sei o quanto eu valho e olha, a autovalorização não anda sendo muito gratificante em tempos de micareta. Mais fácil pegar geral mesmo. Já passei por essa fase e dela eu também estou cansada. Estou REALMENTE cansada. Não há final de semana de bebedeira e pegação que compense uma segunda-feira sem sms de bom dia. Não mais.

Enquanto isso eu vivo a eterna ladainha de toda menina que, no fundo, chega a ser uma constatação, a espera do príncipe encantando (também funciona bem com princesa no meu caso). E quer saber por que os clichês são clichês? Porque se repetem muito. Porque funcionam. Só por isso. Os clichês são verdades instauradas e desgastadas. Não tenham raiva deles.

Ou tenham. Também estou cansada de discussões.

Posted by Thais Castro 

Divagação 06: Pagode do Xandão

Este é um texto originalmente publicado no blog do Wag (http://blablaismo.com.br) na época em que eu escrevia lá. Estou republicando porque gosto muito de me lembrar desse episódio e gostaria de compartilhar com vocês.
Informação necessária: Esse texto foi escrito há mais de dois anos e na ocasião eu era loira

Estava eu ontem do lado de fora do bloco, sozinha, fumando. Sexta feira, final de tarde e eu sem nada pra fazer e sem planos pra mais tarde. Meu vizinho chega e pergunta se eu queria ir ao pagode com ele. Ok, pausa para comentário: Eu não frequento lugares que tocam pagode, geralmente. Não é por preconceito, eu até escuto de vez em quando, mas é que não é meu tipo de festa. Eu disse que como eu não iria fazer nada, eu iria sim com ele.

Às nove ele já estava batendo aqui na porta. Nove e meia, mais ou menos a gente parou num boteco desses de esquina, razoavelmente grande e era dia de feirinha no setor, que por acaso ficava em frente ao bar. Havia uma banda, de pagode, claro, se preparando pra tocar. Uma folha A4 na parede avisava que o couvert era R$2.

Outro comentário: O que esperar de um lugar onde o couvert artístico é 2 reais? Desce uma cerveja e lá estamos conversando e rindo dos passantes.

A média de idade do bar ficava entre 27 e 300 anos. Tinha uma mesa de maranhenses (eu quero deixar claro que não tenho absolutamente NADA contra os maranhenses e eu só sei que elas eram de lá porque o rapaz vocalista da banda deu um salve pras moças) com duas meninas. Short que faz valer o nome da peça, curto, beeeem curto! Aquele cabelo grande, preto, ensopado de Kolene, sabe? Enquanto essas meninas dançam os rapazes de 237 anos ficam ensandecidos.

Imagem meramente ilustrativa de cabelo com toneladas de creme rinse
Exemplo de cabelo ensopado de kolene. Imagem ilustrativa.

Desce outra cerveja e passa uma mulher com os cabelos típicos já expostos acima só que dessa vez eles estão presos. Com alguns fios soltos na frente, sabe? Enroladinhos, pra dar aquele aspecto da franja batendo quase lá no queixo? Ten- dên- ci- a!  As meninas vão me entender mais que os meninos que lerem esse texto e se você é uma menina dessas cabelo-kolene, por favor… Não faça isso com você mesma.

Na terceira cerveja há uma movimentação estranha na praça, carros de polícia, sirenes…TIRO! Não é mentira, teve tiro na pracinha, as pessoas corriam apavoradas, era mãe catando criança, o moço dos DVD’s genéricos tacando tudo na sacola, o pipoqueiro correndo com o carrinho, uma loucura, minha gente… Uma loucura. Nisso o cantor, muito sereno, pediu calma a todos do bar, que o show ia continuar. Inventou de fazer um pagode de No woman no cry, do Bob Marley, com o inglês superfluente dele.

Quarta antarctica, eu já meio alta. Como todo bom boteco, sempre tem um menino pedindo dinheiro. Enquanto a música rolava (oou, ou mano crai… oou, ou mano crai..) ele ia de mesa em mesa. Chegou na nossa “Tem cinqüenta centavos, tio?” Meu vizinho: “Ô, parceiro… tenho não” O menino continuou andando.

Pausa para o comentário que eu achei engraçado, pelo menos na hora, do meu vizinho: “O moleque vem pedir dinheiro pra mim bem vestido desse jeito? Olha a sandália dele, nem eu tenho uma sandália que prende atrás!” Parando pra pensar aqui agora, me ocorreu que eu devo ter achado engraçado na hora por conta das 4 cervejas… whatever.

Divagações a parte, pagamos as cervejas*, o couvert e fomos pra outro lugar. Muito mais tenso, diga-se de passagem.

Quem mora em Goiânia deve saber que o Pagode do Xandão não é muito bem frequentado. Bom, eu já havia escutado comentários, sabe? Mas como eu já estava na chuva, um pingo a mais não ia fazer diferença. Eu linda, loira e bem arrumada num lugar onde só tinha rampeiro. Se não acreditam na decadência do lugar, eu provo com fatos, a lata de cerveja era R$0,50 (isso mesmo, CINQUENTA centavos). Sentei numa mesa e de lá só saí pra ir ao banheiro uma vez, no trajeto até lá, me esquivei de três caras, mas na porta, esperando a fila, um teve a oportunidade de me pegar parada. Queria um trago do meu cigarro, sendo que ele nunca tinha fumado na vida (eu sei por que ele falou) e queria que EU colocasse o cigarro na boca dele. Romântico, não?

macosta4

O lugar era mais ou menos isso. Imagem ilustrativa.

 

A única mulher bonita que eu vi naquele lugar estava no banheiro quando eu entrei, mas abriu a boca pra falar de um tal de Josnilton que tava ficando com a Sula por lá e ela P da vida por isso. Depois disso eu perdi toda e qualquer esperança de encontrar alguém interessante no lugar. Mas, valente que sou, permaneci.

Voltei pra mesa, um cara veio atrás…
- Oi, você tem namorado?
Não.
- Mas você tá tão sozinha aqui, triste.. não gosto de te ver assim

Eu com uma cara de eu-sei-que-você-não-leu-nem-dez-livros-na-sua-vida
- É saudade.

Já construindo o diálogo todo pro meu grand finale.
- Mas você falou que não tinha namorado…
- Mas eu não tenho namorado mesmo não… Tenho namorada.**

Eu não consigo descrever a cara dele nesse momento, mas eu sei que foi muito engraçada. Depois de 5 segundos de pausa, ele diz resignado:

- Foda.

E sai.

Passa um tempinho, vem outro:

- Oi.

Eu sempre simpática:

- Oi.
- Tudo bem? Você tá tão desanimada aqui. Tá sofrendo de amor?

Eu com uma cara de eu-sei-que-você-manda-cartões-animados-no-orkut-com-frases-prontas:

- É, tô sim.. com saudades da minha namorada.

Ele fez a mesma cara do outro, mas não desistiu tão fácil e mandou essa aqui, atentem para o lirismo do rapaz:

- Mas… para esquecer uma paixão, só uma outra paixão. Eu quero te fazer sentir melhor.

Com voz de locutor de rádio e toda aquela cadência ao falar. Eu quis que parassem o mundo pra eu descer naquele instante.

Eu só balancei a cabeça e ele saiu Pô, mas eu só levo fora.

Algumas investidas muito mal sucedidas de alguns rapazes que não tiveram tanta graça aconteceram e lá pelas 2h eu já não aguentava mais aquele lugar com mulher de boné e uma piranha tamanho extra G no rabo (rabo do cabelo), homem de pochete dançando rebolation ao som de Dj Panquecagarotas kolene e coisas do gênero. Fomos embora.

Eu sou uma pessoa que gosta de viver novas experiências e eu admiro as pessoas que são assim. Mas, se você um dia vier a Goiânia e te chamarem pra ir ao Pagode do Xandão, eu não aconselho! Mesmo que você seja uma dessas pessoas que gostam de se aventurar. A frase que provavelmente ficará na sua cabeça durante toda a noite deverá ser a mesma que ficou na minha: O que diabos eu estou fazendo nesse lugar?.

* Era só pra ficar bonito no texto, eu não paguei nada.
** Eu não tenho namorada. Mas quer desculpa mais eficiente pra dispensar um cara?

 

Posted by Thais Castro 

Divagação 05: "Em que mundo você vive?!"

Certa vez, numa dessas minhas idas à essas boates, conheci um rapaz. A gente conversava sobre relacionamentos em determinado momento e eu dizia ser completamente contra traição. Aquela feita deliberadamente e continuamente, sem arrependimento, culpa ou remorso. Então ele disse: "Thais, se você continuar pensando assim você ainda vai se decepcionar muito. Em que mundo você vive?!"

Na hora eu apenas balancei a cabeça e dei um sorriso amarelo, mas eis a resposta que deveria ter dado:

No mundo em que eu vivo um jogador de futebol ganha num mês o que pelo menos uma centena de brasileiros ganharia num ano inteiro. Eu vivo num mundo em que uma mãe decide jogar um filho recém-nascido numa lixeira ou num rio. Eu vivo num mundo em que homossexuais são espancados na rua apenas por andarem de mãos dadas.

Eu vivo num mundo onde índios são queimados por filhinhos de papai por diversão. Vivo num mundo onde mulheres são diariamente espancadas, humilhadas e submetidas a tratamento desumano por seus maridos. No mundo em que eu vivo pessoas até hoje são discriminadas pela cor da pele. Eu vivo num mundo onde crianças não vão para a escola porque estão engordando estatísticas de trabalho escravo em uma carvoaria qualquer.

No mundo em que eu vivo, meu amigo, aquele mesmo casal gay que apanha na rua não pode criar aquela mesma criança que foi rejeitada pela mãe. No mundo em que eu vivo, bilhões são destinados à construção de novos estádios de futebol enquanto faltam escolas e hospitais que consigam atender a população de forma minimamente respeitosa. Enchentes acontecem todos os anos por incompetência política e falta de planejamento urbano. E nesse mundo em que eu vivo, centenas de famílias perdem suas casas por causa disso.

Entre tantas outras coisas, esse é o mundo em que eu vivo. E acredite, é o mundo em que você vive também. E é esse o mundo que me causa nojo e repulsa, mas são principalmente as pessoas que vivem nele o que mais me angustia, porque se hoje ele está assim, fomos nós que o fizemos. Fomos eu, você, sua mãe, seu irmão, seu amigo e tantas outras pessoas que você, e eu também, não conhecemos.

Só que a diferença entre nós, meu amigo, é que eu dou valor a uma coisa chamada respeito. Que dentre todos esses exemplos citados anteriormente é o primeiro passo para a resolução desses problemas. E eu imagino você, que é tão acostumado a faltar com respeito a uma pessoa que diz amar, diante de uma situação de conflito com uma pessoa estranha. Se eu vivo nessa merda de mundo, meu amigo, também é culpa sua que se orgulha em dizer que trai sua namorada.

Posted by Thais Castro 

Divagação 04: Big Brother Brasil e os intelectuais das redes sociais

Antes do Twitter, do Facebook e do Orkut (que Deus o tenha), as pessoas na real life comentavam sobre Big Brother Brasil. Até porque as pessoas comentam sobre tudo e até aí tudo bem. Obviamente desde o começo havia os pró-BBB e os contra-BBB, em sua maioria estudantes universitários das ciências humanas. Até aí tudo ótimo também, porque aqueles que não gostavam simplesmente não assistiam o programa e simplesmente não falavam a todo momento e pra qualquer pessoa que "BBB é um lixo". 

Depois, no orkut, as pessoas falavam sobre isso, mas as ideias não eram tão disseminadas porque o que você dizia ficava entre seus "amigos". Quando o Twitter explodiu no Brasil essa coisa de BBB virou um inferno. Os usuários se dividem entre quem fala sobre bbb, comenta, torce, xinga muito no twitter o participante tal, entre quem fala que bbb é uma merda, que a população brasileira é ignorante, que "vocês não tem louça pra lavar ao invés de ficar falando sobre bbb" etc. e finalmente entre os mais sensatos, os que não gostam de Big Brother, não assistem e não falam sobre isso.

O mais engraçado nessa história toda é que, pelo que eu pude perceber até hoje, as pessoas que falam que o bbb é a escória da cultura brasileira (não todos, obviamente) são as mesmas pessoas que gostam de Michel Teló e que dão RT e compartilham frases da Clarice Lispector. E o problema, meus amigos, não é compartilhar frases da Clarice, porque eu, particularmente, gosto muito de Lispector. O problema não é com ela, o problema é com os babacas que compartilham essas frases se achando os mister cult 2012 sem ter lido a porra de um livro da mulher. 

Não gostar de BBB nunca foi problema. Assim como não gostar de homossexuais, assim como não gostar de cerveja, assim como não gostar de futebol. O único problema nisso tudo é você, metido a intelectual porque vê telecurso 2000, xingar muito no twitter tentando atingir as pessoas que assistem. Coleguinha, deixa eu te dizer uma coisa: eu gosto de meninas, como todo mundo sabe, e você dizer pra mim que lesbianismo é coisa do demônio não vai me fazer parar de gostar de meninas, certo? Do mesmo jeito que você dizer pra 2983975872 pessoas que Big Brother Brasil é um lixo não vai fazer com que essas pessoas parem de assistir.

Então, vai aí uma dica marota pra você que faz isso, tenha bom senso e pare de falar. As pessoas não vão parar de falar sobre isso no twitter, não vão parar de falar sobre isso no Facebook, não vão parar de falar. ENTENDA. Saia você do twitter e vá dar uma espiadinha nA Divina Comédia, mas não se engane, não é um livro de humor.  

 P.S.: eu não quis ofender os estudantes das ciências humanas, até porque dessa forma eu mesma estaria ofendendo a minha própria classe. Mas todos nós sabemos que é verdade, não é mesmo?

Posted by Thais Castro 

Divagação 03: Vestibular, tem sempre um otário

Final de ano é essa época mágica dos vestibulares, né? Sei que é um momento delicado, já passei por isso (já passei mesmo, na verdade estou prestes a me formar, risos). Também sei que a maioria das pessoas que lê meu blog é menor de 21 anos. E é meu público alvo hoje, então preste atenção.

Você, que estuda o ano inteiro - ou pelo menos é o que a sua mãe pensa - pra passar no vestibular, você, que transforma sua casa num verdadeiro caos, você, que faz merda o ano inteiro, xinga sua vó, quebra o computador com soco, bate no cachorro e todo mundo te desculpa porque você TÁ ESTRESSADINHO POR CAUSA DO VESTIBULAR. Você, que já tá fazendo cursinho pela terceira vez porque quer passar pra medicina ou direito, ou whatever, você, que gasta mais pra estudar do que o que uma pessoa comum recebe por mês pra bancar a família... você, QUE CHEGA ATRASADO NO DIA DO VESTIBULAR E NÃO ENTRA PRA FAZER A PORRA DA PROVA. Eu gostaria de dizer, com todas as letras, que você é um retardado. Eu não entendo.

E U N Ã O E N T E N D O

Eu NãO eNtEnDo

ue oãn odnetne

Não entendo, meu deus, como você, que sabe que a prova começa às 13h (na maioria dos casos), resolve sair de casa ao meio dia, achando que tá indo ao shopping, ou à feira, ou ao puteiro. Não, ao puteiro não, porque daí você chegaria mais cedo, né? 

Todo ano, TODO ANO, (TODO ANO!) tem gente chorando em frente aos locais de prova. "Perdi meu ônibus" "O pneu do carro furou" "meu cachorro comeu minha caneta preta e meu lápis faber-castel" "minha mãe morreu" PELO AMOR DE DEUS! Você que já passou por isso, você não sabe da existência da Lei de Murphy?  Você sabia que tem um tópico nela que diz "Maior aplicabilidade em dias de provas de vestibular, concursos etc"? Entenda uma coisa, tudo o que puder acontecer de errado, TUDO o que tiver a mínima chance de acontecer errado, VAI ACONTECER e da pior forma possível, e de maneira que cause maior estrago. Então não saia da sua casa com uma hora de antecedência, você não vai chegar a tempo. Não é porque a prova é domingo que vai ter pouca gente na rua, sabe por quê? Porque você, meu querido, minha querida, não é a única pessoa que está indo fazer essa prova. Eu sei que você é uma criatura especial, essa criatura única aos olhos de Deus, mas todas as pessoas no mundo também são, até o Osama. Se possível acampe na porta do seu local de prova. Pode acampar no local do show do Justin Bieber e não pode chegar cedo na hora do vestibular, né?

'Cês tomem vergonha na cara, molecada. E boa prova.

Obrigada.

Posted by Thais Castro 

Divagação 02: Como ser uma pessoa inconveniente

Dica número um: Não use fones de ouvido em lugares públicos. Em ônibus ou metrô de preferência. Ao adentrar nesses recintos coloque uma música que desagrade a maior parte do público. Sugiro um funk ou sertanejo universitário. Axé também funciona bem. Deixe o volume no máximo. Prefira um celular que tenha péssimos auto-falantes, aqueles com o grave estourado e com alguns chiados. Mantenha-o numa posição em que o som se propague, não deixe o som abafado. Todos precisam escutar.

Dica número dois: Fale alto. Bem alto, quase gritando. Ria alto também. É interessante dar alguns tapas no ombro da pessoa com quem se fala, enquanto você ri. Bata forte de forma que a pessoa dê dois passos para trás até se equilibrar. Se você é amigo dessa pessoa há muito tempo, também é válido contar aqueles podres dela quando a namorada/o estiver presente. Apontar alguém que esse amigo/a já tenha ficado também colabora para o momento ficar ainda mais legal.

Dica número três: Quando avistar dois amigos conversando de forma discreta e em local afastado vá fazer companhia. Afinal, todos desejam sua presença. Já chegue contando como foi seu dia. Procure saber sobre o que eles estavam conversando também,  você não é o centro do mundo, não é mesmo? Se eles se negarem a dizer, insista.

Dica número quatro: Na faculdade, quando o professor fizer aquela pergunta de praxe ao final da aula "Alguém tem mais alguma pergunta?" levante o braço. Principalmente se for na última aula da sexta-seira. Afinal, suas dúvidas não podem ficar para depois, sem contar que seus colegas de turma também precisam saber mais. Você é uma pessoa que busca conhecimento, você é demais. Lembre-se disso.

Dica número cinco: Se você fuma, peça sempre um trago do cigarro alheio. Babe no cigarro, devolva molhado. Nunca compre cigarros, amigos estão aí para isso mesmo.

Dica número seis: No bar, quando a conta da sua mesa chegar, vá ao banheiro. Volte apenas quando a conta já estiver paga. Mas volte a tempo de não perder sua carona, seu amigo não vai te esperar para sempre, não é mesmo? Tenha bom senso.

DICAS BÔNUS  PARA A INTERNET

01: No twitter: ao seguir um amigo, ou até mesmo um desconhecido, AVISE-O. Mande duas replies no mínimo. "seguindoO ^^" "seguindo. segue de volta, amor??????" são bons exemplos. Se a pessoa te ignorar, mande de novo e de novo e de novo. Afinal de contas, ela tem que saber quem é você, essa pessoa especial!

02: No Facebook: envie várias solicitações de jogos, cityville, farmville, todasville que você conhecer. Responda o que você achou das fotos dos seus amigos, eles realmente querem saber! Acredite! Marque-os naquelas fotos de desenho com características (tipo, fulano brincalhão, beltrano extrovertido etc), em fotos de shows sertanejos. Convide-os para eventos do tipo "FRAUDE LATA VELHA" eles adoram!

03: Encaminhe vários emails com AS FOTO DA FESTA QUE FICARAM ÓTIMAS! Não esqueça das correntes e dos pps que sua mãe te manda!

 

Beijos queridos, espero que as dicas tenham sido úteis.

 

Posted by Thais Castro 

Divagação 01: Como ganhar dinheiro com um filho

Quatro meses depois de dizer que iria postar uma vez por semana, estou aqui, o cão arrependido. A partir de agora sequer ameaçarei dizer quando vou postar. Na verdade tinha até esquecido que tinha criado isso aqui. Me lembrei hoje e vi mais de 3 mil visualizações num post de apresentação? Como assim?

Enfim... vamos ao que interessa.

Eu estava passando ali na sala e vi a chamada de um desses jornais da globo. "Desastres naturais preocupam EUA... Queda das bolsas sei que, sei que lá... NASCE FILHO DO JOGADOR NEYMAR" Minha nossa senhora, agora sim eu posso começar minha tarde bem informada! Que alegria, mais uma criança no mundo. Que alegria, mais uma criança com menos de 24h de vida que já é mais rica que eu, que já não aguento mais ir para a  faculdade na esperança de quem sabe, um dia, ganhar 5 mil reais por mês.

Eu fico pensando se devo colocar meu futuro filho numa escola de tempo integral ou numa escolinha de futebol. Sei lá, são raríssimos os casos de jogadores que matam as namoradas e dão pro cachorro comer ou então incitam o suicídio das meninas. O mais provável é que ele vá pra balada e encha a cara de cachaça depois vá pra casa com mulheres. Cara, até eu já fiz isso, sabe? É uma coisa completamente aceitável. Sem falar que nessa eu também ficaria famosa. Todo mundo conhece e adora a mãe do Ronaldinho Gordinho Fofuchinho Fofolete Chupetinha de baleia até hoje, não é mesmo?

Por outro lado, um filho que vai à escola de tempo integral, tem boa educação, lê muitos livros, assiste muitos filmes de diretores consagrados, comenta sobre peças de teatro, escuta boa música, se não for gay vai ser esnobado pelas mulheres e viver em depressão. Porque mulher nunca aguenta homem assim. Tô mentindo? Esses são ótimos amigos, apenas.

Aí fiquei aqui pensando... pensando... e decidi que seria melhor se eu tivesse uma filha. Daí ela poderia ser modelo e todo mundo conhece a mãe da Gisele Bündchen, não é mesmo? [...]

Posted by Thais Castro 

Apresentação e divagação (des)necessária

Oi. Você já provavelmente já me viu no Twitter dizendo qualquer coisa que soe meio retardada e/ou absurda e/ou engraçada e/ou chata. E tudo isso eu faço me aproveitando da "personagem" @siaht.

Eu já escrevi em blogs outras vezes, mas nada que durasse. Disciplina nunca foi uma das minhas qualidades, então não esperem assiduidade e também não me cobrem isso, porque afinal de contas eu não recebo para escrever aqui, nem no Twitter (mas posso receber se você, amigo empresário, microempresário, dono de carrocinha de cachorro-quente ou churros ou pipoca ou da bicicleta da pamonha quiser espaço para propaganda, entre em contato). Acredito que a maioria das pessoas que vierem ler o que eu escrevo - ou pretendo escrever - virão por causa do Twitter, então: eu serei a mesma, porém sem erros ortográficos propositais (ok, às vezes, quem sabe).

A intenção inicial é postar ao menos uma vez por semana e, como meu Twitter, esse blog é meu, o que implica que eu falo sobre o que eu quiser e vocês leem se quiserem, só não me venham com mimimi.

E eu vou falar mal. Na maioria dos casos eu vou generalizar, então, se você se sentir parte do grupo da vez, antes de brigar comigo você se sinta a exceção dessa generalização. Dessa forma você pode até rir um pouco da sua própria desgraça fingindo não ser com você e todos ficam felizes nessa história.

Haverá coisa boa para se falar sobre também, é claro, mas numa proporção muito menor. Porque o meu talento mesmo é para falar mal das coisas do mundo, principalmente da coisa chamada ser humano, e isso não pode ser desperdiçado, eu não achei meu talento no lixo.

Isso não será uma espécie de diário, então não esperem, também, informações sobre minha vida particular. Tudo o que vocês precisam saber é que ela é cheia de merdas, assim como as suas, posso apostar.

E mais uma coisa: não acreditem em tudo o que eu falar, não levem a sério, isso aqui é só uma extensão do Twitter. Eu não fiquei séria porque fiz um blog. Em contrapartida, esse não é um blog de humor, esse é um blog de descarga emocional. São as minhas impressões sobre o mundo e as impressões que eu sinto que o mundo tem sobre mim, colocadas à disposição de todos. Vocês fiquem à vontade, limpem os pés antes de entrar porque eu ainda não tenho um escravo para limpar minhas coisas.

Se você chegou até aqui, parabéns.

Posted by Thais Castro